Os dez melhores combates de janeiro de 2018 - House of Wrestling - O melhor do Wrestling!

Os dez melhores combates de janeiro de 2018

Fala, galera, aqui é o Will e após um logo tempo, trago a vocês a minha compilação de dez melhores combates do mês de janeiro de 2018, que já começou com tudo após um excelente 2017.

Caso tenha sua lista, deixe-a nos comentários, junto com suas opiniões. Vamos lá!

10. Pro-Wrestling NOAH Navigation for the Future 06/01: Kenoh (c) vs. Kaito Kiyomiya

Por fim, os bons e novos tempos chegaram a Pro-Wrestling NOAH, com inúmeras surpresas gratas, como um campeão de sucesso que por fim possa chamar a atenção do público e um membro da nova geração, que com apenas dois anos de experiência, recebe sua primeira chance no evento principal que abre o ano da empresa. 

Kenoh, que é uma das melhores histórias de sucesso de 2017, realiza sua primeira defesa com o recém formado young-lion retornando de excursão, Kaito Kiyomiya. Por incrível que pareça, esta match obteve um alto nível de importância, não só trazendo um dos melhores públicos para a NOAH no Korakuen Hall em anos, mas também, apresentando duas futuras estrelas, se desapegando de nomes da "golden era", trazendo novos ares e o interesse do público de volta. No fim, com todos os fatores a favor, isto foi excelente. Kiyomiya mostrou grande determinação em sua primeira "big match", com Kenoh tentando para-lo a todo custo com seus chutes violentos, com o público realmente envolvido, o que acabou por me surpreender, pois as reações aos "big moves" de Kaito, que são desconhecidos pelo público, foram fervorosos, o que culminou em um excelente closing stretch com um bom nível de drama (mesmo sabendo do resultado). Espero receber mais disto no futuro, com a NOAH abrindo seu ano com chave de ouro. [****¼]

9. NJPW The New Beginning in Sapporo 28/01: The Young Bucks (c) vs. Roppongi 3K

Após um excelente combate que deu início ao Wrestle Kingdom deste ano no dia 4, duas das melhores tag teams do mundo se encontram novamente, talvez não em um evento de tamanha importância, mas em uma posição de tamanha importância, com ambas as tags da divisão Junior sendo co-main event de um pay-per-view, o que é extremamente raro de se acontecer. E sim, eles fizeram por merecer. 

Tanto quanto a match do Wrestle Kingdom, uma "lesão" nas costas foi o foco principal aqui, mas com papéis invertidos. Como vocês podem se lembrar, no Wrestle Kingdom, Nick fez YOH se submeter ao Sharpshooter, após trabalhar incessantemente sobre suas costas durante o combate, porém, naquele mesmo tempo, Matt, também "lesionou" suas costas, o que virou o foco principal dos ex-campeões desde então.

O mais interessante disto tudo, é que SHO e YOH bateram e venceram os títulos da mesma forma que perderam, isolando Nick e impedindo o máximo que o mesmo se mantivesse envolvido, e trabalhando sobre Matt e sua lesão, e vencendo o título da mesma maneira que a antiga Roppongi Vice, constituída por Rocky Romero e Baretta venceram no Wrestle Kingdom 11, com um simples roll-up. Além destes fatores básicos e excelentes na implementação da história, Matt foi simplesmente espetacular em seu selling, em uma das melhores apresentações que pude presenciar em um longo tempo. Simplesmente excelente. [****¼]

8. AJPW New Year Wars 02/01: Joe Doering (c) vs. Zeus

Confesso que eu não estava nem um pouco ansioso vindo para esta match, pois sim, apesar de Joe ser meu campeão favorito no momento, ele não vinha em boa fase em algumas de suas big matches, mas, aparentemente, ele retornou a boa forma após a World Tag League do fim de 2017 e começou o ano com estes 20 minutos de guerra.

Isto é exatamente o que você espera de uma Hoss Battle por um dos títulos mais prestigiados da história. Dois "Hulk's" tentando se matar com lariats, big bombs e com um incrível senso de realismo de uma luta de dois caras enormes, com a crowd envolvida a todo momento e investida ao que ambos faziam. Além disto, contou com uma dinâmica interessante, onde Zeus, que em 90% de seus combates é o cara maior e costuma usar isso em sua vantagem, encontrou um campeão determinado e obviamente maior, o que o obrigou a trabalhar como um underdog tentando se sobressair contra o dominante campeão. Os comebacks de Zeus foram bem posicionados e acabaram por não estragar o booking de Joe, que vem sendo tratado como uma força indestrutível dentro da empresa desde que venceu o título em outubro. Assim como bateu o câncer em 2017, Joe segue batendo seus adversários em 2018 com tamanha grandeza. [****¼]


7. NJPW Wrestle Kingom 12 04/01: Kenny Omega (c) vs. Chris Jericho

Apesar de ser um combate voltado totalmente ao apelo do público mainstream, visando trazer novos olhos a New Japan, Omega e Jericho acabaram por viver o "hype" que cercaram durante dois meses.

Tudo foi construído como uma enorme grudge match, onde dois egomaníacos batalhariam no maior evento da empresa no ano em busca de provar um ponto: quem é o melhor no que faz. Apesar de não ter grandes esperanças sobre isto, principalmente pelos últimos trabalhos de Jericho não terem me empolgado em absolutamente nada, tudo acabou por ultrapassar minhas expectativas. Eles se mantiveram fiéis ao que foi moldado ao longo da rivalidade e trouxeram um estilo mais americanizado ao ringue nipônico, com uma brawl caótica, repleta de spots, mas com um sólido wrestling envolvido e um bom layout, e principalmente, conseguiram obter a importância de uma big match perante ao público. Eu sinceramente não mudaria nada do que se foi apresentado, principalmente por terem se mantido fiéis e ambos terem tido boas performances dentro de seus papéis, com um Jericho heel tentando provar que é o maior de todos os tempos e um cara condecorado por onde passou, e um Omega mais babyface, trabalhando por baixo e trazendo mais energia a match e mantendo o bom pace durante uma match, que, surpreendentemente, durou 35 minutos. Excelente. [****½]

6. EVOLVE 99 14/01: Zack Sabre Jr. vs. WALTER

Após ter um dos melhores combates da história da PWG no ano passado, por fim, o reencontro entre ambos aconteceu. Talvez não no mesmo nível que todos esperavam, mas, mesmo assim, excelente e condizente com o nível de dois dos melhores wrestlers da atualidade.

Seguindo a mesma dinâmica que obteve sucesso na última vez, novamente jogaram dentro do desnível de tamanho, com WALTER demolindo Sabre com seus chops, que me arrisco a dizer que são os melhores e mais brutais que já vi na história do pro-wrestling. A história é interessante, pois como já devem saber, Sabre é um dos melhores technical wrestlers do mundo e costuma utilizar de seu estilo para torturar seus adversários com suas submissões, mas, parece que ele finalmente encontrou sua kryptonita, afinal, WALTER, além de ser um cara enorme que obviamente utiliza de seu tamanho e força, também é um exímio technical wrestler, com um forte backgroud em grappling e submissões, e simplesmente não consegue ser ultrapassado por Sabre em nenhum quesito. Isto provavelmente vai culminar em uma match pelo EVOLVE Championship de Sabre na WrestleMania Weekend, e no caso destes dois juntos, quanto mais, melhor. [****½]


5. NJPW Wrestle Kingdom 12 04/01: Minoru Suzuki (c) vs. Hirooki Goto

O bom e velho espirito do NEVER Openweight Championship foi reconquistado, justamente, no momento que mais se necessitava.

Desde que iniciou seu reinado de terror com o prestigiado título, que contou com as incessantes guerras de Tomohiro Ishii e Katsuyori Shibata por anos, Suzuki vinha sendo um campeão esquecível. Não por sua culpa, pois quando sua qualidade é posta a prova, ele entrega clássicos de uma maneira como poucos, mas sim, por conta de seu típico booking e da Suzuki-gun. Porém, no maior show do ano da NJPW, isto obviamente foi diferente, e tudo o que eu simplesmente queria e não via durante um longo tempo, foi entregue.

Um lindo car crash de brutalidade e crisp wrestling, com ambos fazendo o que sabem de melhor: lutar. Goto sobreviveu a surra que Suzuki lhe deu, com uma tremenda performance de ambos, principalmente por estarem nos lugares que mais rendem. Suzuki é excelente em dar surras e Goto é excelente em absorve-las, utilizando seu "espirito de luta" e dando uma aula de como ser um bom e simples babyface. Simples e efetivo, da maneira que eu queria. [****½]

4. NJPW The New Beginning in Sapporo 27/01: Hiroshi Tanahashi (c) vs. Minoru Suzuki

Dois dos maiores de todos os tempos, que possuem no currículo uma das melhores e mais aclamadas matches de todos os tempos, novamente se encontrando. 

Como todos devem sabem, no King of Pro-Wrestling de 2012, Tanahashi e Suzuki proporcionaram uma das melhores e mais únicas matches da história, e desde então, foram resguardados. Eu possuía grandes expectativas sobre esse combate e uma porção de medo ao mesmo tempo, muito por conta das possíveis interferências da Suzuki-gun, mas tudo correu limpo e fluído do jeito que deveria ser. 

Apesar de sentir falta de alguns elementos da match de 2012, a fórmula seguida foi similar, mas com uma história diferente. Suzuki obteve vantagem ao absolutamente torturar Tanahashi, que sofre de uma lesão no joelho, e ninguém melhor do que o mesmo para executar o trabalho. Com exatamente apenas dois nearfalls durante 32 minutos, ambos conseguiram novamente colocar uma "masterclass" em técnica e psicologia, provando que a quantidade de moves não é medida através da qualidade, mas sim, com uma boa estrutura, história e algo simples, é possível entreter e manter um público ativo durante uma match tão longa, sem se tornar exaustiva, utilizando apenas os princípios básicos do wrestling, tendo o selling como base principal, mesclado com expressões faciais de alto nível e uma história realista. O final, fruto de bom booking, fez com que Suzuki saísse do combate como um torturador e alguém crível para segurar o segundo principal título da empresa, e Tanahashi, mesmo com a derrota, saiu excelente, por nunca ter desistido, apesar da tortura incessante, o que também abre uma boa história para a rematch entre ambos. [****¾]

3. PROGRESS Chapter 62 28/01: WALTER (c) vs. Timothy Thatcher

Os dois principais membros da Ringkampf por fim colidindo, por um dos melhores e mais prestigiados títulos da atualidade, em uma absoluta guerra, que não exito em chamar de o melhor combate da história da PROGRESS.

Caso você conheça um pouco da filosofia da Ringkampf, você perfeitamente vai entender a brilhante história dessa linda sinfonia de violência. A Ringkampf, formada dentro da wXw, tem como filosofia principal, o wrestling, de forma limpa e pura. Tudo se baseia em um único motivo: lutar. E foi o que ambos trouxeram para dentro do ringue, uma luta. 

Há um longo tempo que eu não via um combate stiff deste nível. Dois homens que se respeitam implementando sua definição de wrestling dentro do ringue, em algo simplesmente brutal, que já no começo, contou com Thatcher recusando o aperto de mão de WALTER, dando a sensação de que tudo seria sério, deixando a amizade de lado para fazerem o que mais amam. Essa match não teve lampejos de estética, tudo foi absurdamente feio, mas lindo ao mesmo tempo, como uma simples orquestra de violência, que manteve  o público perplexo pelo nível absurdo de stiffness que ambos trouxeram. WALTER tomou controle no início, demolindo Thatcher com seus chops, que fizeram com que o peito do mesmo sangrasse, mas por um descuido, perdesse o controle ao tentar um chop e acertar o poste do lado de fora do ringue, o que fez com que Thatcher assumisse o controle então, trabalhando sobre a mão de WALTER, tirando sua arma principal. WALTER, que tem uma das ofensivas mais brutais da atualidade, mostrou mais uma vez como também é incrível quando é necessário sellar. Pisões, submissões, suplexes, cotoveladas, mais chops e por fim, o respeito, de terem deixado tudo no ringue, culminando em um abraço entre ambos após o combate. [****¾]

2. NXT TakeOver "Philadelphia" 27/01: Andrade "Cien" Almas (c) vs. Johnny Gargano

Após terem uma das melhores matches da WWE no ano passado, aqui estão Andrade e Gargano, que levando em consideração a direção dos planos do NXT pelo que se podia observar no ano passado, é um main event de pay-per-view mais improvável que eu chutaria em setembro/outubro do ano passado.  Toda a construção da história de ambos até o topo é um tanto quanto interessante e acho que um dos grandes trabalhos em questão de booking no ano passado.

Almas, que não possuía interesse e não se esforçava, além de sua incrível auto-confiança, acabava por nunca se encontrar e isto lhe custou inúmeras derrotas por um longo tempo, até encontrar Zelina, que lhe colocou nos trilhos, culminando em sua boa fase e por fim, o topo da montanha no TakeOver "War Games". Gargano, por outro lado, apesar de ter um dos maiores corações da empresa e auto-empenho, vinha em incrível declínio desde que foi traído por Ciampa, culminando em uma sequência enorme de derrotas, uma delas, no pre-show da grande coroação de Almas, para o menos experiente Pete Dunne. Por tempos, Gargano foi se adaptando as derrotas, não sabendo mais o que poderia fazer, até que, uma vitória, no mínimo, surpreendente, contra o maior e mais forte Kassius Ohno, deu-lhe o "boost" de confiança que precisava para alcançar a maior oportunidade de sua vida, e pela frente, tinha o mesmo homem que lhe derrotou duas vezes anteriormente, mas não somente ele, mas como o fator extra, Zelina, que lhe custou sua vitória contra Almas anteriormente em um TakeOver.

Para muitos que não estão familiarizados com as histórias por trás de tudo, esse combate pode ter soado como uma "indy mess" baseada em moves, mas não, longe disto. Tudo possuía um sentimento especial, de algo grande, de dois caras que deram a volta por cima e que naquele dia, seria a noite de Gargano. 

Tudo, por fim, acabou por culminar em algo espetacular. Toda a construção do underdog em Gargano, do campeão confiante por ter um recorde positivo sobre o mesmo e ter certeza de sua vitória. Ambos claramente trabalharam com liberdade, construíram e mantiveram a base sólida, com um começo lento, trabalho controlado e cimentado focado no pescoço, onde o finisher de ambos justamente toma parte, nearfalls incríveis, moves não somente brutais, mas estética e perfeitamente executados. Apesar de não ser um fã de interferências, elas foram perfeitamente dosadas e colocadas no momento certo, não interferindo no clímax e que a crowd se mantivesse investida, não tornando-se fruto do overbooking. No fim, apesar de todo seu coração,  Uma grande história, um grande vilão, um grande babyface e wrestling excepcional. O que pedir mais? [*****]


1. NJPW Wrestle Kingdom 12 04/01: Kazuchika Okada (c) vs. Tetsuya Naito

Após quatro longos anos, o tão aguardado reencontro de Kazuchika Okada e Tetsuya Naito no Tokyo Dome por fim aconteceu, após inúmeras reviravoltas e voltas por cima, as duas maiores estrelas do Japão, que tiveram suas chances de estar neste mesmo lugar roubadas pelos dois antigos Aces da empresa em 2014, retornaram ao seu merecido lugar, maiores, melhores e mais fortes.

Vamos voltar a 2013, especificamente, nas finais do G1 CLIMAX 23, onde o "Stardust Genius", Tetsuya Naito, venceu Hiroshi Tanahashi para se tornar o novo desafiante ao título do até então campeão, Kazuchika Okada. Apesar de sua grande vitória no torneio mais importante da empresa, garantindo uma chance pelo maior título no maior evento do ano, Naito tinha um fardo maior a carregar: substituir Hiroshi Tanahashi. Entretanto, apesar de sempre ter o público ao seu lado e ter alcançado seu maior sonho, as coisas não iriam tão bem para Naito no caminho a maior oportunidade de sua vida. Após defender sua chance no evento principal do Wrestle Kingdom contra Masato Tanaka e Yujiro Takahashi, Naito perdeu momento, e aos poucos, o apoio e credibilidade com os fãs, que viram o campeão, Okada, naquele mesmo ano, defender seu título em uma série de combates espetaculares contra o mentor de Naito, Tanahashi, o vencendo em duas oportunidades no mesmo ano, se estabelecendo ainda mais como o principal nome da companhia e do título em tão pouco tempo. No Power Struggle de 2013, último evento que antecedia o Wrestle Kingdom 8, onde Okada e Naito se enfrentariam, Okada defendeu seu título com sucesso novamente, desta vez, contra Karl Anderson, mas, enquanto comemorava, Naito veio ao ringue confrontar o campeão, ao som de vaias do público de Osaka. Enquanto estava no ringue, Naito por fim se auto-nomeou como "Shuyaku" da empresa, que em japonês significa "top star", e mais uma vez, ouviu uma estrondosa massa de vaias. Naito não era o sucessor de Tanahashi, Naito não era o "Shuyaku" da New Japan, ele era uma piada. 

A caminho do Wrestle Kingdom 8, em resposta a negatividade dos fãs sobre Naito, a New Japan Pro-Wrestling realizou uma votação para decidir qual combate estaria no evento principal, onde, após uma enorme diferença de 9.000 votos, foi decidido que o combate entre Hiroshi Tanahashi e Shinsuke Nakamura pelo IWGP Intercontinental Championship seria o evento principal do Wrestle Kingdom 8, onde Naito não somente viu a maior chance de sua escapar por culpa dos fãs, mas também, obteve a capacidade de tirar o mais prestigiado título da empresa do evento principal para o recém-criado, Intercontinental Championship. Como resultado, Naito é derrotado por Okada, e vê não somente o evento principal escapar de suas mãos, assim como também a chance de por fim, substituir Tanahashi.

Em seu retorno a Osaka, um mês após ser humilhado no Tokyo Dome, Naito perde seu NEVER Openweight Championship para Tomohiro Ishii, mais uma vez, sobre uma massa de vaias. Com a resposta negativa dos fãs, Naito começa aos poucos mudar sua atitude, e após um medíocre 2014, na World Tag League realizada no fim do ano, Naito se alia a seu amigo La Sombra, que junto a Rush e La Mascara, deram as costas aos fãs, formando os "Los Ingobernables" na CMLL. Após mais uma derrota no Tokyo Dome, desta vez para AJ Styles, Naito foi enviado ao México para tomar um tempo, onde, imediatamente, se juntou a La Sombra e aos Ingobernables, aos poucos, deixando o "Stardust Genius" de lado e adquirindo os maneirismos ignorantes e tranquilos dos Ingobernables. Em junho de 2015, Naito retornou ao Japão, onde os fãs estavam ansiosos em vê-lo de volta, mas havia algo diferente em Naito. Ele simplesmente não se importava com os fãs mais, e a única que coisa que lhe importava, era o seu boné dos Ingobernables e a si mesmo. Ao tempo que o G1 CLIMAX 25 chega, Naito se transforma por completo. Ele mudou seus maneirismos, seu jeito de se vestir, dando vida ao Ingobernable dentro de si. Mas, apesar de sempre estar tranquilo e auto-confiante, o único homem capaz de lhe fazer transparecer alguma emoção é Hiroshi Tanahashi, com quem se encontra inevitavelmente na quinta rodada do torneio. Naito imediatamente deixa suas emoções tomarem conta de si e esquece por alguns minutos dos "tranquilos ways", e rapidamente é neutralizado por Tanahashi. Mas, há algo e alguém que Tanahashi não conhece e não possui resposta, que é o Ingobernable. Naito rapidamente recompõe sua compostura e deixa se levar por sua nova persona, que viciosamente ataca o pescoço de Tanahashi e estreia seu novo finisher, o Destino, no qual, ninguém conhecia, por fim, finalizando o homem que lhe tirou a maior oportunidade de sua vida. Ao longo do torneio, Naito faz de tudo para ser odiado, mas algo mudou. Todo ódio e vaias, se tornaram apreciação dos fãs, que aprenderam a respeitar e amar a nova persona de Naito. Ao longo de 2015 e começo de 2016, Naito continua a conquistar seus fãs, a tempo para a New Japan Cup daquele ano, e também, dois novos aliados, BUSHI e o "King of Darkness" EVIL. Após derrotar Hirooki Goto para vencer a New Japan Cup daquele mesmo ano, Naito desafia Okada mais uma vez por seu título, no Invasion Attack, porém, desta vez, ele possui o apoio e respeito dos fãs, e de seus companheiros de facção. Naito, com a ajuda de SANADA, por fim realiza seu sonho de conquistar o IWGP Heavyweight Championship, mas, ele é um homem mudado agora, ele não se importa mais com o apoio dos fãs e até mesmo com o título, ele apenas quer provar que é a maior estrela da empresa e se tornou maior que qualquer título, e encerra o show deixando o prestigiado IWGP Heavyweight Championship estirado no meio do ringue, que viria a perder por seu excesso de confiança para o mesmo Okada, dois meses após vencê-lo. Porém, Naito ainda possuía negócios inacabados com outro título, e após o G1 CLIMAX 26, o Ingobernable volta suas atenções para o IWGP Intercontinental Championship de Michael Elgin, não por aquele aprecia e quer ter o título ao redor de sua cintura, mas sim, por uma única e simples palavra: vingança. Esse é o título que roubou seus maior sonho de estar no evento principal do Wrestle Kingdom 8, e para simbolizar seu fracasso como Stardust Genius, Naito aproveita cada oportunidade de arremessar e depreciar o título, pois, talvez, caso destrua o título fisicamente, ele finalmente possua destruir a parte de si que assombra seu passado como um fracasso. Após conquistar o título, ao tempo que chega o Wrestle Kingdom 11, Naito é surpreendido por seu maior pesadelo, Hiroshi Tanahashi, que o desafia pelo IWGP Intercontinental Championship para o maior evento do ano da NJPW. E após três longos anos, no dia 4 de janeiro de 2017, Naito derrota o homem que lhe tirou a maior oportunidade de sua vida, junto do mesmo título que deixou padecer suas esperanças, finalmente, conseguindo sua vingança. Porém, ainda há uma única que resta para adicionar ao currículo do Ingobernable, que é vencer o G1 CLIMAX novamente e por fim, estar no evento principal do Wrestle Kingdom.

Após perder seu título devido ao joelho lesionado de anos atrás para Tanahashi, onde, conseguiu depreciar o título da maneira que queria, Naito caminha rumo ao G1 CLIMAX 27 como favorito. Já na estréia, ele descola uma grande vitória sobre o regressante Kota Ibushi e consegue seu ingresso para a final triunfando, mais uma vez, sobre Hiroshi Tanahashi, e reencontra seu pesadelo do ano passado, Kenny Omega, que o impediu de chegar as finais do G1 CLIMAX 26. Durante o combate, Naito usa o Stardust Press após dois anos, mas acaba errando, e percebe que o "Stardust Genius" Naito nunca foi capaz de finalizar o trabalho, e por fim, após um devastador Destino, Naito vence o G1 CLIMAX após quatro anos pela segunda vez, tendo conquistado sua vingança sobre Tanahashi, o IWGP Intercontinental Championship e Kenny Omega. E, após o combate, durante seu discurso, Naito se auto-proclama mais uma vez como "Shuyaku", desta vez, ao som do grande apoio dos fãs que o vaiaram anos atrás, por fim, é verdade.

Porém, como há sempre um porém na história de Naito rumo ao topo, Naito ainda será obrigado a defender sua oportunidade contra o homem que o derrotou duas vezes durante o ano e que lhe custou sua única vitória durante o G1, Tomohiro Ishii. Após ter vencido o G1, Naito disse que concederia a chance a Ishii para desafia-lo pela maleta, por tê-lo batido duas vezes no ano. E após um belo e duro combate no King of Pro-Wrestling, Naito por fim bateu Ishii e teve sua sonhada chance no evento principal do Wrestle Kingdom 12 definida frente a Okada, que venceu o companheiro de Naito no mesmo show, EVIL, para reter mais uma vez seu título.

No rumo ao Wrestle Kingdom, Okada e Naito se enfrentaram diversas vezes, com uma história interessante, onde Okada diversas vezes tentava fazer Naito perder sua compostura tranquila, adquirindo um lado mais heel e tendo a obsessão de fazer Naito desmaiar com seu novo move, o Cobra Clutch, e cada vez mais deixando sua confiança falar por si por possuir um recorde extremamente positivo contra Naito. Eis que, no último show do "Road to Tokyo Dome", Okada finalmente conseguiu o que queria. Naito por fim perdeu sua compostura, lhe atacando com um low blow e um Destino, e após sair por cima antes do grande show, junto de sua confiança reajustada, Naito por fim, irá para o Tokyo Dome junto ao seu prêmio de MVP de 2017 e o mais importante, o apoio dos fãs.

Por fim, o tão aclamado dia 4 de janeiro chegou. A maior noite da vida de Tetsuya Naito chegou. Em sua entrada, tipicamente lenta, mantendo os ensinamentos de seu grande amigo La Sombra, Naito teve sorte de ter uma máscara escondendo seu rosto, apesar de, isto não poder esconder o medo em seus olhos. A máscara, com a figura de um lobo, contava com um pequeno coelhinho assustado por trás dela, finalmente frente ao maior evento de sua vida, aos fãs que pagaram ingressos e gritaram seu nome durante sua entrada. Naito por fim retira sua máscara, mas não assemelha um desafiante confiante, pronto para cravar a maior conquista de sua vida, Naito, por fim, parece sobrecarregado. Mas antes disto, vamos recapitular o outro lado. O imparável e indestrutível campeão, que passou por guerras e amadureceu, aprendeu com seus erros frente as suas batalhas ao lendário Hiroshi Tanahashi, o mais experiente Naomichi Marufuji, a máquina Kenny Omega, o torturador Minoru Suzuki, o incessante Katsuyori Shibata, o monstro Bad Luck Fale, a superestrela Cody e o rei da escuridão EVIL. Okada ultrapassou os maiores obstáculos do inferno para prevalecer no topo da montanha como o indiscutível Ace, enquanto Naito, tentava destruir seus sentimentos de fracasso e mágoas contidos em um título. Para Naito, é a maior oportunidade de sua vida, para Okada, é apenas quinta-feira, pois, naquela noite do dia 4, Okada era o verdadeiro "tranquilo".

No começo do combate, Naito tenta bancar sua velha compostura, mas ela parece forçada, hesitante. Ele está tentando convencer Okada, os fãs, ou a si mesmo? Esta é a última vez que vemos tal comportamento de Naito, pois, o "El Ingobernable", que conquistou tudo e a todos, estava ausente naquela noite. Mas apesar de seus nervos, Naito consegue manter controle sobre o danificado pescoço de Okada, e no meio do combate, após um Reverse Frankensteiner sobre o já trabalhado pescoço de Okada, o público eclode. Naito finalmente percebe o apoio de milhares de fãs presentes na arena, as camisetas, os bonés, eles estão ali por ele. Eles o amam. A tão sonhada chance de Naito retirada pelos fãs em 2014, por fim, fala mais alto que seu ego. Ele sobe ao topo das cordas e atenta seu antigo finisher, o Stardust Press, mas erra e vai a lona, junto de sua máscara que encobertava seus sentimentos. O grande Stardust Genius dos olhos brilhantes nunca morreu, ele estava apenas encobertado. Naito sempre quis amor, o apoio dos fãs, por isso encobertou sua personalidade, afinal, fingir que não se importa é mais fácil do que realmente demonstrar seus sentimentos. Aquela sua chance retirada o magoou. Ele nunca quis ser o cara mal, ele apenas queria apoio. Sua falha chance de ir para o Stardust Press foi apenas uma tentativa de prova que ele não precisava do Destino para terminar o trabalho, ele sempre esteve pronto. Porém, o combate continua. Okada é um homem que aprendeu com seus erros anteriormente para se tornar o melhor do mundo. No decorrer, similar a primeira chance de Naito pelo IWGP Heavyweight frente a Okada em 2012, que lhe custou uma árdua derrota no show de aniversário da empresa, Naito atenta seu típico running forearm strike, mas é revertido e pego por Okada, que acerta um Rainmaker. 1, 2... Naito escapa. Porém, diferente de Naito, Okada se mantém tranquilo. Ele aprendeu com seus erros, diferente de Naito, que cometeu dois erros cruciais que quase lhe custaram o combate. Ao longo de tais erros, Okada aprendeu uma coisa: a arte do não deixar escapar. Sempre que consegue acertar um rainmaker em um momento de desespero, Okada mantém seu adversário segurado pelo pulso, mantendo controle sobre o mesmo, que foi sempre o grande diferencial em suas vitórias e conquistas ao longo do tempo, e a mais importante, contra Tanahashi no Wrestle Kingdom 10, que lhe rendeu o título, mas o mais importante, o status de Ace. E nos momentos finais, quando Naito acertou seu terceiro Destino no combate, ele levantou-se, manteve o controle do pulso sobre Okada, chamou o público para si e mais uma vez, cometeu seu maior erro. Os segundos preciosos que Naito gastou ao levantar Okada, dando como certo algo que não estava ganho, levaram a sua inevitável queda, mais uma vez. Naito deixou seus sentimentos lhe ultrapassarem e Okada, simplesmente, foi muito para ele. Naito somente se importava com o evento principal, com os lampejos, mas se esqueceu do mais importante e o que estava em jogo, o título. O título que Okada defendeu em guerras incessantes, matando um leão por vez, para torna-lo o maior e mais cobiçado prêmio do wrestling na atualidade. Suas emoções foram maiores que a sua vontade de querer e seus propósitos, e por isto, mais uma vez, ele tropeçou.

Após o combate, para completar a cereja do bolo, soberano, Okada pega o microfone e diz, ao desolado e desacreditado Naito: "Naito-san! Como foi o evento principal do Tokyo Dome? Foi bom, certo? Especialmente quando você vence". Naquele momento, com os olhos quase lacrimejados dirigindo-se aos bastidores, percebemos que Naito nunca quis ser o Stardust Genius, a cópia perfeita de Hiroshi Tanahashi, ou o vilão Ingobernable, que ignorou seus sentimentos e dos fãs por um longo tempo, ele simplesmente, quis ser Tetsuya Naito.

Com uma longa história, um combate cheio de emoções, excelente estrutura, drama, psicologia, encerramos mais um histórico evento principal do Tokyo Dome. Talvez, para mim, um dos melhores e mais bem construídos combates da história, fruto de um "acidente" que veio para o bem. E, quem sabe um dia, podemos ver Naito conquistar sua glória, que ficou no "quase", para ódio de muitos e alegria de outros, mas que contou uma história maravilhosa de dois homens que ainda terão contas a acertar no futuro. [*****]

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