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All In: Entenda como surgiu o evento que entrou para a história

Na noite do último sábado (01), Cody, em conjunto com os Young Bucks (Matt e Nick Jackson), realizaram direto da Sears Centre Arena, o All In, o maior show independente da história, que teve seus 10.000 ingressos disponibilizados esgotados em menos de meia hora. Conheça agora a história (digna de documentário) por trás do maior show independente da história.

Tudo começou com um simples tweet ou pelo menos impulsionou. Era o respeitado jornalista Dave Meltzer duvidando que um evento independente, organizado por quem quer que fosse, conseguiria a façanha de encher uma arena de dez mil pagantes. Cody Rhodes respondeu com um "desafio aceito" mas o ex-lutador da WWE e filho do lendário Dusty Rhodes já vinha pensado na ideia há meses com a ajuda dos Young Bucks: um show promovido pelos três onde toda a elite indy se reuniria.

A confiança para ceder a essa ideia teve dois alicerces fundamentais: o grande sucesso do Bullet Club e o particular momento que o cenário está atravessando. Mas se você perguntar a eles, o seu canal no YouTube Being the Elite e aquela invasão nos arredores do Monday Night RAW foram o ponto culminante para a ideia sair do papel.

O evento precisava de um nome não impactante mas que mostrasse a verdadeira intenção da iniciativa. O nome? All In. Um termo que foi sugerido pela irmã de Cody - que não apenas faz alusão a inclusão, mas também reflete sobre os próximos passos do cenário e a independencia do que era convencional: a demonstração que não precisariam mais da poderosa companhia de Stamford para ganhar dinheiro e viver do que mais amam que é o wrestling.

Antes de oficializar, e apesar de deixarem pistas de vez em quando, o trio foi em busca de patrocinadores para viabilizar o evento. No entanto, logo perceberam que a melhor coisa a se fazer naquele momento era organizar por conta própria. O financiamento não era um problema; economicamente não estavam em má condições e trabalho era o que não faltava. Mas era um movimento arriscado sem dúvidas. Entra nessa história os executivos da Ring of Honor e New Japan Pro Wrestling.

Sob contrato exclusivos, tanto os irmãos Jackson como o "The American Nightmare" estariam violando regrais contratuais ao realizarem esse show.


Nem mesmo as duas empresas associadas tinham planos de realizar um evento desse porte, e por isso viram com desconfiança a possibilidade de que a iniciativa de lotar uma arena de 10 mil pagantes funcionaria. Era um teste de fogo. Consequentemente, os executivos das empresas decidem disponibilizar todos os talentos que o trio quisesse.

Cody e os Bucks não queriam patrocinador, mas quando tornaram público o anúncio e a data - que entre as opções, as cidades de Ontario e Long Beach foram consideradas, as ofertas de patrocinadores começaram a cair como gotas de chuva. Alguns queriam bancar o custo total do show, mas não aceitaram porque desse modo estariam "matando o espirito" de todo o movimento. Portanto não aceitaram dinheiro; cada centavo saiu do próprio bolso deles.

Uma das várias ofertas foi a do Cracker Barrel, uma das maiores empresas dos Estados Unidos. Em parceria com a empresa, fecharam um acordo para a disponibilização de comida para o evento, sem dinheiro envolvido no meio. Outra empresa agora no ramo de cadeiras queria investir, colocando suas cadeiras na região próxima ao ringue. Não aceitaram. Mais um acordo seria firmado agora com o restaurante TGI Fridays, também para a comilança.

Chegava a hora de arrumar uma data livre para realizar o evento. Para isso, revisaram os seus calendários e as datas livres. A sexta-feira 7 de julho, o fim de semana do dia do trabalhador nos Estados Unidos, estava livre. Estava muito próximo. Decidiram então pelo 1 de setembro. Quatro arenas entraram no paréo de escolha. Tudo foi feito por email e com rara ajuda. Optam pela Sears Centre Arena, em Hoffman Estates, Illinois, que fica a 40 km de Chicago.


Todos aqueles que conheciam os planos para o All In, sejam eles promotores ou lutadores, admiravam o trio pela coragem de assumir um desafio como este. Um promotor experiente inclusive os implorou pelo seu próprio bem que não colocassem os ingressos a venda num domingo, aconselhando que antes tinham que vender ingressos antecipadamente. Vince McMahon em pessoa disse: setembro é o pior mês para realizar shows.

Chegou o domingo, o dia do início da venda de ingressos. O trio, acompanhado por alguns talentos anunciados para o All In - que se resumia a alguns nomes, incluindo o presidente da NWA, Billy Corgan - realizou uma pequena conferência de imprensa introdutória. Marty Scurll não conseguiu se conter. Para eles, foi "desastroso", mas "divertido". Havia mais fãs que a própria imprensa... mas tudo bem nesse mundo nem tudo é perfeito.

E o momento decisivo chegou. A ansiedade estava começando a florescer. E o relógio começou a andar... os ingressos já estavam à venda.

Os Bucks e Cody começaram a andar onde estavam, nervosos. Um dos Jacksons olhava as mensagens no Twitter para ter uma ideia de como estava o movimento dos ingressos. Um dos presentes disse: "este é um momento histórico". Ele pegou um celular e começou a filmar. E as primeiras notícias chegaram. Alguém soltou "Meu Deus! O ringside está esgotado em 30 segundos!". Existe a primeira indicação. Um dos Jackson escreveu no grupo: "Eles estão vendendo rápido".

Eles estavam todos em alertas e a adrenalina era alta. No grupo dos amigos era mensagem após mensagem. Eles esperavam notícias e as tinham: uma atualização dizia que, aparentemente, eles haviam vendido 3 mil ingressos em dez minutos. Essa informação era suficiente para alguns saberem que seria um sucesso retumbante, mas os mais pessimistas esperavam um pouco mais por mais detalhes.

A esposa de Matt Jackson conseguiu entrar na internet para fazer uma reserva depois de um tempo de pesquisa e o sinal "sem ingressos disponíveis". Ela procurou os melhores ingressos disponíveis e os resultados mostraram que estavam pelo preço de US$ 28; o mais barato. Mas não terminou aí, porque quando ela clicou para comprá-lo, o site não redirecionou. Ela tentou sem resultados. Quase meia hora depois, novamente: "não há ingressos disponíveis".

Foi tamanha rapidez na venda de ingressos que nem Cody acreditou. Matt escreveu no grupo: "vendemos tudo". Cody disse "não, não é possível". Matt então explicou o processo que sua esposa havia feito. Levou alguns minutos para confirmar que, de fato, a frase "Não há ingressos disponíveis" não era mentira. Era um sold-out (esgotado). Demorou apenas 30 minutos. E sem lutas confirmadas.


"Nunca vi isso acontecer com um evento de wrestling, que diabos está acontecendo?", disse um funcionário da venda de ingressos da arena. Nem sequer com a WWE. Era estranho para os funcionários é claro já que algo desse tipo só chegava a acontecer com grandes cantores. Mas o trio contava com fãs leais. A venda total aconteceu aos 29 minutos, ou seja, essa meia hora foi arrendonda.

Naquela mesma noite, tomados pela euforia de saber que fizeram história, Cody e os Bucks apareceram na sessão de autógrafos organizada para os fãs que compraram ingressos para o grande dia. As portas se abriram e a sala ficou cheia. Um dos presentes deu o primeiro grito: "I'm All In" (estou dentro). Todos os que se aproximaram de Cody lhe disseram a mesma coisa: "I'm All In"; "Eu não consegui o lugar que queria, mas estou All In". Cody não aguentou. Ele deixou a sala por alguns minutos e, com emoção, ele chorou.

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