Exclusivo: Falamos com os brasileiros que estiveram nos tryouts da WWE

Como a maioria dos brasileiros fãs de Pro Wrestling já devem saber, a WWE convidou vários brasileiros para realizarem alguns testes no Chile algumas semanas atrás, afim de contratar os melhores para que assim ingressem no mundo do Pro Wrestling. Certamente, todos os participantes sentiram-se muito gratos pelos momentos que tiveram. O House of Wrestling entrou em contato com alguns deles para ouvir a história de cada a respeito desses dias de testes.

Fizemos as mesmas perguntas para cada um deles, elas são:
1. Como foi o processo de seleção para estar nos Tryouts da WWE no Chile? Como aconteceu?

2. Quando você ficou sabendo que estaria no Chile para os testes, qual foi sua primeira sensação?

3. Ter o Cezar Bononi, Adrian Jaoude e a Taynara Conti (que já estão na WWE e falam português) junto com você e os outros brasileiros que estavam nos testes, tornou as coisas, se assim podemos dizer, menos complicadas?

- Conte-nos um pouco de cada dia de Tryout: (sensação de estar ali, atividades, acontecimentos marcantes, aprendizados e etc...)

Victor Boer (BWF):


- Processo de seleção foi todo um trabalho realizado pelo Bob Junior e a BWF, que culminou no show do dia 28 de outubro de 2017 da BWF com a WSW, onde olheiros da WWE estavam presentes e selecionaram alguns lutadores da BWF para esse Tryout.

- Fiquei sabendo que estaria realizando um tryout na WWE no dia desse show que falei... Foi uma sensação muito doida, a ficha demorou pra cair, parecia que não era real. Quando caiu só chorei de felicidade e agradeci.

- Sim, eles ajudaram bastante, tanto na parte da tradução como em todo o resto, motivação, dicas e tudo mais... Eles foram bem importantes mesmo, agradeço a eles por isso!!

- Não sei bem o que eu posso dizer de cada dia de tryout, só que a sensação era a melhor possível, foi um sonho realizado, então a sensação era essa, de agradecimento, tentar aprender o máximo possível  e tentar fazer o meu melhor...

Rurik (BWF):


- O processo de seleção começou a 3/4 anos atrás quando recebemos a visita de representantes da WWE. Na ocasião convidaram o Cezar Bononi para fazer um tryout no qual o mesmo foi aprovado. Essa visita aconteceu novamente no show entre BWF e WSW onde ocorreu o convite para o tryout da América Latina.

- Minha reação na hora foi normal, a ficha só caiu depois de um tempo.

- A presença dos Brasileiros já contratados pela WWE foi justamente para ajudar em relação a comunicação, eu por exemplo entendo bem pouco o inglês e eles me deram um suporte incrível.

- Foi complicado para chegar, acho que isso nos deixou desestabilizado, perdemos o dia de introdução e apresentação, graças a chuva que aconteceu em São Paulo, mas correu tudo bem e não interferiu em nada. A sensação é muito gratificante, são 12 anos trabalhando na BWF e foi um reconhecimento de todo nosso trabalho, eu pessoalmente aprendi muita coisas simples que fazem muita diferença. Foi bacana!

Max Miller (BWF): 


- Desde a ida de Cezar Bononi a WWE, a BWF mantém um contato com a mesma. Em outubro de 2017 no show em conjunto com a WSW eu, Acce, Boer, Matths e Rurik conseguimos impressionar William Regal e Canyon Ceaman que assim nos convidou a realizar o tryout.

- Sensação de dever cumprido, tenho isso como objetivo em minha carreira, em minha opinião o trabalho está apenas começando. Ainda tenho muitos objetivos a cumprir e um deles é fazer o prowrestling ser bem reconhecido no Brasil.

- Eles nos ajudaram muito, nos motivando e fazendo todos os brasileiros a darem seu melhor ali.

- Devido alguns atrasos em nosso voo chegamos no primeiro dia de teste quase se encerrando as atividades, fizemos os exames médicos e fomos direto apresentar a promo para todo mundo, pressão total! No segundo dia foi testes físicos e de ringue, sendo um total de 6hrs total de treino, após isso fomos jantar e tivemos a oportunidade de ter em nossa mesa o pai do Matt Bloom, uma verdadeira honra e no final do jantar anunciaram os combates para o próximo dia. No ultimo dia fizemos mais um treino e em seguida as lutas, lutar em um ringue da WWE foi uma das maiores honras em minha carreira e torço que isso se repita muitas vezes em um futuro próximo. Depois disso tudo, houve um evento para a mídia fazer a cobertura e fomos para o hotel descansar para voltar pra casa.

Rusher (SWU):


- Foi mais simples do que se imagina. Me "alistei" alguns anos atrás no próprio site da WWE. Alguns anos depois falando com o próprio Adrian, o presidente de talentos da WWE, Paul Fair, me mandou uma ficha para completar. E assim começaram as perguntas e questionários da WWE e o processo de seleção para esse tryout.

- Lembro que abri o e-mail a noite e estava deitado ouvindo música. Quando li que eu fui um dos selecionados, foi uma sensação muito grande de felicidade, muita gratidão, satisfação pessoal e profissional.

- Na verdade existem dois lados. O lado positivo é que você conseguia entender melhor e confirmar melhor o que foi pedido e a instrução para melhorar. Porém, como os mesmos sabiam falar a mesma língua, sabiam exatamente o que falar para abalar, puxar e até mesmo levar a capacidade ao máximo de cada brasileiro que lá estava.

- Bom para chegar ao tryout já foi um grande teste de paciência e controle mental. O lado positivo é que consegui chegar no primeiro dia de tryout e eu estava extremamente nervoso, muito estressado e não estava 100% no treino. Meu rendimento no mesmo dia, não foi muito satisfatório para mim. Já no segundo dia, fiz muito a diferença, levantei mais cedo que meu colega de quarto, que por sinal era o Marcos Gomes (gente fina demais). O treino do segundo dia foi o dobro de tempo e julgo ter tido um rendimento muito positivo, aprendi muito e coloquei na prática já no mesmo dia o que aprendi. No mesmo dia, tivemos um jantar muito bom e lá foi anunciado o primeiro card de lutas que seriam feitas no terceiro dia. Quando fui anunciado no card, engoli o sorvete que eu estava comendo como se não houvesse amanhã e tive a sorte e o prestígio de lutar contra o lutador Ariki Toa do Chile.

Terceiro dia, foi um treinamento muito positivo e as lutas, graças ao universo minha luta foi bem fluida e muito forte. Afinal, tanto os golpes que apliquei no Ariki foram fortes. O resultado foi de uma luta forte de dois caras que sonham ainda em lutar no mesmo ringue do qual foram colocados. No mesmo dia, teve a cobertura da mídia no evento e o sentimento de gratidão vibrou de uma forma muito intensa. Quando o tryout acabou, cheguei no hotel e arrumei minhas coisas para a volta e tive que falar com minha família e agradecer por tudo. De longe, essa foi a melhor experiência de toda a minha vida e sinceramente espero pisar naquele ringue mais uma vez.

Acce (BWF):


- A seletiva não sei como funcionou ao certo, mas eu e Maxr Bôer fomos escolhidos por nossa luta na WSW, soubemos que ganhamos o Tryout dia 28 de outubro de 2017, a felicidade não foi pouca..

- Foi emocionante, meu sonho é viver disso, deixei muita coisa por isso, empregos, estudos, para me focar a luta livre, a BWF, e graças a Deus com os ensinamentos de Bob Júnior e graças a ele, a Deus, este é o maior objetivo de minha vida!!

- Sobre o Tryout não posso dizer nada, nem detalhes, mas o sensação é única, imagine você estando onde sempre sonhou. Só passou na minha cabeça que com certeza é isso que quero para minha vida!

Matheus Alves (BWF): 


- O processo aconteceu por meio do show da BWF em parceria com a WSW que aconteceu em Outubro de 2017.

- Fiquei animado, mas sabia que precisaria trabalhar duro para me preparar.

WWE Photo
- Em tese não, foi exatamente a mesma coisa para todos, pois eles estiveram lá como coachs, e não foi somente para os brasileiros, era para todos os outros também

- Cada dia era uma sensação de quero mais, e que de reconhecer que de fato era aquilo que eu queria pro resto da minha vida. Cada dia eram passados treinos puxados, promos, ensinamentos, dicas e muitas coisas para aplicarmos nos treinos quando voltássemos.

Kelly Mesquita:


- Eu perguntei a Taynara Conti como fazia para participar. E ela acabou me indicando, mandei meus dados, currículo de atleta, fotos. Eles acabaram gostando do meu perfil e em junho me mandaram um e-mail falando que fui selecionada pra estar no Tryout no Chile. Daí em diante comecei a me preparar mais para poder fazer o Tryout.

- Nossa, eu fiquei em estado de choque. Eu não sabia se pulava de alegria ou se chorava de emoção, porque não esperava, senti algo tão bom quando recebi essa notícia.

- Sim, sim. Bem menos. Senti uma sensação de conforto com eles lá. Acho que ter os primeiros representantes brasileiros lá com a gente era como olhar pra eles e querer fazer tudo certo pra estar futuramente junto com eles. Um exemplo enorme pra todos nós. Tanto estar com eles quanto com os outros brasileiros. E é claro que eles três não que pegaram leve com a gente, mas também ajudaram muito, muito mesmo. Deram muitas dicas, muitos conselhos de como se comportar. De como fazer as técnicas.

- Então, cada dia aprendemos algo novo tanto em treinos como aprendizados pra vida. Estar lá foi muito bom, eu tive uma sensação tão boa todas os dias, era como se fosse um sonho estar ali, fazendo os treinos, conhecer os Coaches, conhecer outras pessoas. Foi tudo mágico.

O primeiro dia quando chegamos lá foi bem corrido, só tivemos a reunião pra falar sobre a Empresa e como seria o Tryout, e os exames físicos. Depois disso fomos descansar.  No segundo dia a sensação de sair do hotel e ir pro centro de treinamento era como se eu estivesse indo fazer uma competição de Judô, dava um frio na barriga, batia o nervosismo, porque era algo novo, diferente. Eu até tinha uma noção de como poderia ser por conta dos vídeos dos outros Tryout, mas mesmo assim dava um nervosismo. Acabou que o primeiro treino foi tranquilo, aquecemos e fizemos uma corridinha em volta do CT. E aí no segundo treino que começamos com as técnicas que tem que aprender a fazer, os rolamentos, o jeito de levantar, o jeito de se comportar lá. Por mais que no judô aprendemos a fazer rolamentos, o tipo de rolamento que fazem no WWE é um pouquinho diferente do Judô, mas já de ter uma base disso já facilitou muito. Porque aí era só questão de pegar a técnica certa. E eu até que consegui pegar rápido às técnicas, graças a Deus.

Porém o que mais pesou para mim nesse dia, foi ter que fazer a Promo. Nossa, aí sim eu fiquei nervosa, falar pra câmera e na frente de todos e dos Coaches durante 1 minuto e por mais que seja pra falar de você mesmo ou contar uma história, pra quem não é acostumado dá um frio na barriga que meu Deus, eu acho até que fiquei gelada nessa hora. Foi o 1 minuto mais longo da minha vida...(risadas).

O terceiro dia, eu não conseguia levantar da cama, meu corpo inteiro dolorido, virava para um lado doía, virava pro outro doía... Mas por incrível que pareça era uma dor boa, de sentir que eu estava viva, tava ali vivenciando aquele momento, aquela experiência, de que eu era capaz de fazer tudo. Já nem existia nervosismo. Nem frio na barriga, só dor no corpo mesmo. Os treinos continuavam firmes, mais técnicas novas pra fazer. Eu adorei aprender a correr no ringue de uma corda pra outra, parar, fazer as técnicas, continuar correndo. Tudo ao mesmo tempo. No último dia, mais treinos e mais uma promo e que promo. Mesmo nervosa consegui me sair bem. No final das contas você vê que o Tryout é uma competição contra você mesma, de se superar a cada dia, de em 4 dias você ter que buscar aprender pelo menos quase tudo, mostrar quem você é, de passar por cima dos seus obstáculos.
Adrian Jaoude and WWE Performance Center coach Robbie Brookside provide feedback to Brazilian judoka and grappler Kelly Mesquita.
Bom o que falar desse Tryout, dessa nova experiência que tive? Eu amei cada segundo que passei lá, eu faria tudo isso todos os dias, amei conhecer pessoas novas, de outros lugares. No final estávamos todos juntos e unidos. Você vê que união das pessoas, a energia boa que todos transmitem, ajuda muito, os treinos iam passando e nós mesmo cansados estávamos aguentando, porque a energia positiva que todos passavam, não deixava ninguém desanimar, não deixava o cansaço falar mais alto.  Porque assim por mais que os treinos sejam algo sério, eles não queriam que nós estivéssemos sérios o tempo todo, eles sempre falavam "sorrisão no rosto, alegria, curta esse momento com alegria, aproveita cada segundo aqui " porque com a energia boa as coisas fluem. Confesso que no começo foi difícil, porque assim, eu Kelly sou acostumada a estar sempre séria nos meus treinos, e eu ficava meio receosa, achando que tinha que manter a seriedade por respeito aos coaches, mas depois vi e entendi que não era isso que eles queriam. Eles mesmo falavam pra sorrir "Smile" e com o decorrer dos dias fui ficando mais tranquila.

E sabe o mais legal de tudo, é que os Coaches tinham uma paciência de ensinar. Eles paravam quantas vezes fosse preciso para ensinar,consertar, até aprendermos. Aprendi muito com todos os coaches, o Robbie e a Sarah, eles me ajudaram muito nos treinos, estavam sempre ali consertando algum detalhe, me dando uma dica, tanto pro treino quanto pra promo, o coaches Matt sempre sério, mas aí era só fazer algo engraçado que soltava um sorrisão. Eles são pessoas muito boas, dava pra sentir isso. Por serem famosos e tals, achamos que são diferentes de nós, mas não, quando os conhecemos vemos que são ótimas pessoas. Todos de coração bom.  Adorei tudo, o Tryout, o Chile, cada momento. As pessoas no Chile super educadas, um amor de pessoas. E aqueles cachorrinhos, vontade de levantar todos pra casa. Cada dia do treino aparecia um cachorro diferente no CT. Eu faria tudo de novo se fosse preciso.

Marcos Gomes:


- Eu fiz a inscrição um tempo atrás, mas depois recebi um outro e-mail dizendo que fui indicado pelo Tico Ramalho que foi quem levou as outras brasileiras pra lá também. E com um link para fazer a inscrição tudo de novo.

- Eu abria o e-mail direto pra ver se chegava a alguma coisa...e quando eu vi que fui selecionado para fazer o tryout nem acreditei cara. Pois tinha feito a primeira inscrição a exatamente 1 ano atrás.

- Ter o Adrian, Cézar e Taynara foram fundamentais eu acho, até porque não falo inglês, portanto sempre que eu tinha dúvidas eu perguntava a um deles. E fora a energia de ter brasileiros junto com a gente.

Brazilian MMA fighter Marcos Gomes shows his striking ability.
O primeiro dia de tryout começamos com um leve aquecimento, depois corrida na subida do parque com tiros, levantada técnica, muito rolamento (laterais, frontais e de costas), alguns exercícios no ringue. Segundo dia, aquecimento e depois os treinos, levantada técnica, rolamentos, corrida na corda, a promoção de cada um no vídeo e a noite nos ofereceram um jantar com todos presentes, super bacana no divertimento Chileno. No terceiro dia, aquecimento, levantada técnica, rolamentos, corrida na corda, drills, lutas e toda imprensa presente mostrando um pouco do tryout.

Foi uma experiência única como nunca tive esses anos todos na luta. Um clima extremamente agradável, todos torcendo uns para os outros e se ajudando. Poderia estar fazendo aquilo todo santo dia com maior prazer. Foi cansativo e muito divertido ao mesmo tempo.

Juliene Aryecha:


- Eu fui informada do processo pelo Adrian Jaoude, que disse que me indicou porque sempre lembrou de mim e achava a minha cara, meses depois recebi um convite da WWE para analise de currículo em Julho e apenas em Outubro chegou o convite oficial, tinha até me esquecido e imaginei que não tinha dado certo.

- Quando eu fiquei sabendo, confesso que deu um frio na barriga, e a sensação de enfrentar algo desconhecido foi desafiador. Em Setembro, voltei de SC, de uma competição do judô, no qual eu me lesionei na final, caindo no chão do lado de fora do tatame, desde então voltei ao RJ sem conseguir mexer meu braço, pentear o cabelo, tirar blusa e etc...Não treinei mais nada, já no final de outubro eu quase recuperada recebi o e-mail da WWE dizendo que a viagem seria no início de Dezembro. Pensei comigo: "e agora!? será que vou conseguir me condicionar???" Entrei nas aulas das academias no qual sou professora, fiz aulas de jump, corrida, pilates, musculação, etc, corri contra o tempo para poder chegar no mínimo capaz de executar um bom tryout, porque foi complicado pois dou aula o dia todo e tive que arrumar um curto tempo para me exercitar.

- Ter os 3 atletas brasileiros presentes foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, eu gostaria, mas não imaginava que eles estariam lá no chile conosco, foi uma grata surpresa, pois ate então eu imaginava que não conheceria ninguém, que a língua seria desafiadora pois eu não falo inglês... Mas ao mesmo tempo me senti mais á vontade, eu conheço o Adrian desde 2004, e sempre tivemos bom relacionamento, a Taynara foi minha adversária no judô, lutávamos na mesma categoria, somente o Cesár eu não o conhecia. Auxiliaram muito no processo, pois já sabem o que tem que ser feito e traduziram para nós leigos do inglês udo o que tinha que ser feito para que tudo saísse da melhor maneira possível.

- Primeiramente estar no Chile no meio de uma situação que eu me encontrava em uma semana e um mês tumultuado e estressante por causa do final da minha faculdade que eu estava prestes a me formar, foi bom para poder aliviar a minha cabeça naquele momento de tensão. Viajei meio insegura e desconfiada com a sensação de que estava dando um tiro no escuro pois não fazia a mínima ideia do que poderia acontecer e o que eles exigiram e o que eu tinha que mostrar.

Cheguei no Chile, várias pessoas de vários países da América Latina, americanos com cara de mal (com cara de: vou te matar de tanto treinar!!) fiquei um pouco cismada quando começou os treinos, eu sabia que não seria fácil, mas também sabia que não seria nada além do que eu já fiz na vida, pois já treinei muitos anos em alto rendimento, a nível de seleção brasileira, já usei meu corpo além do meu limite. Então já imaginaria que eu aguentaria, mesmo que não fosse no físico, mas pelo menos na parte emocional, pois sou muito forte de cabeça e não consigo desistir sem ao menos tentar até o meu máximo. Quando começou os treinamentos eu fui tentar entender qual seria o propósito deles, eu estava muito determinada e com muita vontade de dar o meu melhor, já que eu tinha atravessado o país para isso.

Quando subi no ringue, eu comecei a ficar um pouco mais preocupada pensando comigo "será que eu consigo fazer o que querem!?" Pois havia pouco tempo para tentar mostrar o máximo de habilidade possível, sem contar o lado artístico que a gente tem que descobrir. Fui me soltando a medida que fui entendendo o que aconteceria, porque sou do judô, temos a filosofia e a doutrina do respeito, humildade, disciplina, e estar em um ambiente no qual cantar, rir, bater palma, gritar sem censura foi estranho e ao mesmo tempo ótimo, porque o que era difícil foi ficando mais fácil divertido e acompanhado de boas energias dos conterrâneos e posteriormente dos parceiros estrangeiros que foram criados naqueles dias.

Aprendi um mundo novo da luta no qual nunca tive acesso tão perto, aprendi a ter respeito pela modalidade e seus participantes que amam o que faz. A união literalmente faz a força, quando você  pensa que vai desistir, vem outra pessoa e te estimula, porque o esporte é isso, somos todos irmãos apesar da concorrência. O clima foi amistoso e plural, aprendi outras culturas, outras personalidades, outra realidade. Eu amei os 4 dias e fiquei muito mais interessada em fazer parte desse time, pois seria um outro patamar de vida e mudar é muito bom, adoro mudanças que me façam sentir viva de novo. Eu amo lutar, encenar desde criança e poder juntar isso seria maravilhoso. Estou mega empolgada.

Rita Reis: 


- Eu fui indicada para participar por causa do meu currículo que é muito bom. Eu tenho um currículo muito bom no judô, no jiu-jitsu e também prático Wrestling. Eu fui campeã mundial no jiu-jitsu e fui terceira no Mundial de judô.

- Eu fiquei muito feliz com essa oportunidade, porque é uma oportunidade de fazer o Tryout para poder participar da WWE. É uma oportunidade única que pode mudar minha vida, a vida da minha família. Eu fui lá para dar o meu melhor, aconteceu vários problemas no meu voo, cheguei 2 dias atrasada e só fiz dois dias de testes, então nesses dois dias eu tentei dar o meu melhor para mostrar como eu era.
- Eles estando no treinamento, fazendo parte do treinamento e falando português, me ajudou muito. Foi a primeira vez que eu tive contato com a luta, com a WWE. Eu não tinha muita noção dos treinamentos. Mas como eu faço judô, jiu-jitsu e Wrestling, eu acho isso me ajudou a entrar rápido no ritmo do treino porque é um treinamento totalmente diferente.

- Essa oportunidade de estar participando do treino, foi uma coisa maravilhosa! Foi um treinamento muito forte, muito intenso, era diferente, foi tudo uma coisa nova para mim. Então eu tive que aprender rápido. Eu já tinha perdido dois dias porque meu voo tinha atrasado, eu tinha chegado atrasada. Então eu tive que aprender muito rápido, entrar no ritmo muito rápido, as meninas já tinham chegado dois dias antes, já tinham aprendido, e eu tive que chegar com garra, mostrar quem eu era, sorrir, torcer, fazer o meu melhor. Eu tinha que mostrar de verdade a minha cultura de Manaus, então fui toda caracterizada e acho que isso marcou, porque eu me vesti toda de índia. Eu fiz a minha apresentação muito forte e mostrei quem eu era, da onde que eu vinha, que eu era uma guerreira e que eu tinha vindo para conquistar a minha vaga.

Foi um aprendizado imenso só de estar lá. Eu gosto muito de desafios, eu gosto muito de experiências novas. Então estar ali com as pessoas no Tryouts, com os técnicos, com os coaches, me ajudou muito a evoluir cada vez e aprender cada dia mais. Para mim foi um aprendizado, foi uma experiência de vida e todas as dores, todos os sofrimentos, tudo que aconteceu ali, vai me levar a ser uma atleta bem melhor do que eu já era. Foi uma prova de resistência, de psicológico, porque você tinha que mostrar o teu melhor. Eles te julgavam muito porque você errava, mas você tinha que ser a melhor e mostrar que você podia estar ali e que aquela vaga valia a pena.

WWE Photo
Cada dia ali para mim foi um aprendizado novo. E os coaches foram maravilhosos. Os coaches dos Estados Unidos, os Brasileiros, todos me ajudaram muito no treino e me deram muito apoio. Minha apresentação foi muito boa, foi muito emocionante e eu só tenho que agradecer pela oportunidade. Eu fui a única brasileira que foi escolhida de Amazonas, a maioria era do Rio e de São Paulo, então você ser de Manaus é um diferencial Então eu tinha que marcar minha presença de de algum jeito.

Eu queria fazer o diferencial mostrando minha cultura. Mostrar como eu sou guerreira e como essa chance é muito importante para mudar minha vida. Então o Tryout foi uma experiência única, eu adorei participar de tudo, eu amei tudo. Fiquei muito muito feliz com essa oportunidade e agora é só esperar a resposta.

Abaixo estão os perfis dos entrevistados na Internet:
- Victor Boer: Instagram
- Rurik: Instagram
- Max Miller: Instagram
- Rusher: Instagram
- Acce - Instagram
- Matheus Alves - Instagram/Youtube
- Kelly Mesquita - Instagram
- Marcos Gomes - Instagram 
- Juliene Aryecha - Instagram/Facebook
- Rita Reis - Instagram/Twitter/Facebook

* Os participantes que não estão nessa reportagem mas estiveram nos Tryouts, devem aparecer em outra postagem ou não responderam ao nosso contato.
Como a maioria dos brasileiros fãs de Pro Wrestling já devem saber, a WWE convidou vários brasileiros para realizarem alguns testes no Chile algumas semanas atrás, afim de contratar os melhores para que assim ingressem no mundo do Pro Wrestling. Certamente, todos os participantes sentiram-se muito gratos pelos momentos que tiveram. O House of Wrestling entrou em contato com alguns deles para ouvir a história de cada a respeito desses dias de testes.

Fizemos as mesmas perguntas para cada um deles, elas são:
1. Como foi o processo de seleção para estar nos Tryouts da WWE no Chile? Como aconteceu?

2. Quando você ficou sabendo que estaria no Chile para os testes, qual foi sua primeira sensação?

3. Ter o Cezar Bononi, Adrian Jaoude e a Taynara Conti (que já estão na WWE e falam português) junto com você e os outros brasileiros que estavam nos testes, tornou as coisas, se assim podemos dizer, menos complicadas?

- Conte-nos um pouco de cada dia de Tryout: (sensação de estar ali, atividades, acontecimentos marcantes, aprendizados e etc...)

Victor Boer (BWF):


- Processo de seleção foi todo um trabalho realizado pelo Bob Junior e a BWF, que culminou no show do dia 28 de outubro de 2017 da BWF com a WSW, onde olheiros da WWE estavam presentes e selecionaram alguns lutadores da BWF para esse Tryout.

- Fiquei sabendo que estaria realizando um tryout na WWE no dia desse show que falei... Foi uma sensação muito doida, a ficha demorou pra cair, parecia que não era real. Quando caiu só chorei de felicidade e agradeci.

- Sim, eles ajudaram bastante, tanto na parte da tradução como em todo o resto, motivação, dicas e tudo mais... Eles foram bem importantes mesmo, agradeço a eles por isso!!

- Não sei bem o que eu posso dizer de cada dia de tryout, só que a sensação era a melhor possível, foi um sonho realizado, então a sensação era essa, de agradecimento, tentar aprender o máximo possível  e tentar fazer o meu melhor...

Rurik (BWF):


- O processo de seleção começou a 3/4 anos atrás quando recebemos a visita de representantes da WWE. Na ocasião convidaram o Cezar Bononi para fazer um tryout no qual o mesmo foi aprovado. Essa visita aconteceu novamente no show entre BWF e WSW onde ocorreu o convite para o tryout da América Latina.

- Minha reação na hora foi normal, a ficha só caiu depois de um tempo.

- A presença dos Brasileiros já contratados pela WWE foi justamente para ajudar em relação a comunicação, eu por exemplo entendo bem pouco o inglês e eles me deram um suporte incrível.

- Foi complicado para chegar, acho que isso nos deixou desestabilizado, perdemos o dia de introdução e apresentação, graças a chuva que aconteceu em São Paulo, mas correu tudo bem e não interferiu em nada. A sensação é muito gratificante, são 12 anos trabalhando na BWF e foi um reconhecimento de todo nosso trabalho, eu pessoalmente aprendi muita coisas simples que fazem muita diferença. Foi bacana!

Max Miller (BWF): 


- Desde a ida de Cezar Bononi a WWE, a BWF mantém um contato com a mesma. Em outubro de 2017 no show em conjunto com a WSW eu, Acce, Boer, Matths e Rurik conseguimos impressionar William Regal e Canyon Ceaman que assim nos convidou a realizar o tryout.

- Sensação de dever cumprido, tenho isso como objetivo em minha carreira, em minha opinião o trabalho está apenas começando. Ainda tenho muitos objetivos a cumprir e um deles é fazer o prowrestling ser bem reconhecido no Brasil.

- Eles nos ajudaram muito, nos motivando e fazendo todos os brasileiros a darem seu melhor ali.

- Devido alguns atrasos em nosso voo chegamos no primeiro dia de teste quase se encerrando as atividades, fizemos os exames médicos e fomos direto apresentar a promo para todo mundo, pressão total! No segundo dia foi testes físicos e de ringue, sendo um total de 6hrs total de treino, após isso fomos jantar e tivemos a oportunidade de ter em nossa mesa o pai do Matt Bloom, uma verdadeira honra e no final do jantar anunciaram os combates para o próximo dia. No ultimo dia fizemos mais um treino e em seguida as lutas, lutar em um ringue da WWE foi uma das maiores honras em minha carreira e torço que isso se repita muitas vezes em um futuro próximo. Depois disso tudo, houve um evento para a mídia fazer a cobertura e fomos para o hotel descansar para voltar pra casa.

Rusher (SWU):


- Foi mais simples do que se imagina. Me "alistei" alguns anos atrás no próprio site da WWE. Alguns anos depois falando com o próprio Adrian, o presidente de talentos da WWE, Paul Fair, me mandou uma ficha para completar. E assim começaram as perguntas e questionários da WWE e o processo de seleção para esse tryout.

- Lembro que abri o e-mail a noite e estava deitado ouvindo música. Quando li que eu fui um dos selecionados, foi uma sensação muito grande de felicidade, muita gratidão, satisfação pessoal e profissional.

- Na verdade existem dois lados. O lado positivo é que você conseguia entender melhor e confirmar melhor o que foi pedido e a instrução para melhorar. Porém, como os mesmos sabiam falar a mesma língua, sabiam exatamente o que falar para abalar, puxar e até mesmo levar a capacidade ao máximo de cada brasileiro que lá estava.

- Bom para chegar ao tryout já foi um grande teste de paciência e controle mental. O lado positivo é que consegui chegar no primeiro dia de tryout e eu estava extremamente nervoso, muito estressado e não estava 100% no treino. Meu rendimento no mesmo dia, não foi muito satisfatório para mim. Já no segundo dia, fiz muito a diferença, levantei mais cedo que meu colega de quarto, que por sinal era o Marcos Gomes (gente fina demais). O treino do segundo dia foi o dobro de tempo e julgo ter tido um rendimento muito positivo, aprendi muito e coloquei na prática já no mesmo dia o que aprendi. No mesmo dia, tivemos um jantar muito bom e lá foi anunciado o primeiro card de lutas que seriam feitas no terceiro dia. Quando fui anunciado no card, engoli o sorvete que eu estava comendo como se não houvesse amanhã e tive a sorte e o prestígio de lutar contra o lutador Ariki Toa do Chile.

Terceiro dia, foi um treinamento muito positivo e as lutas, graças ao universo minha luta foi bem fluida e muito forte. Afinal, tanto os golpes que apliquei no Ariki foram fortes. O resultado foi de uma luta forte de dois caras que sonham ainda em lutar no mesmo ringue do qual foram colocados. No mesmo dia, teve a cobertura da mídia no evento e o sentimento de gratidão vibrou de uma forma muito intensa. Quando o tryout acabou, cheguei no hotel e arrumei minhas coisas para a volta e tive que falar com minha família e agradecer por tudo. De longe, essa foi a melhor experiência de toda a minha vida e sinceramente espero pisar naquele ringue mais uma vez.

Acce (BWF):


- A seletiva não sei como funcionou ao certo, mas eu e Maxr Bôer fomos escolhidos por nossa luta na WSW, soubemos que ganhamos o Tryout dia 28 de outubro de 2017, a felicidade não foi pouca..

- Foi emocionante, meu sonho é viver disso, deixei muita coisa por isso, empregos, estudos, para me focar a luta livre, a BWF, e graças a Deus com os ensinamentos de Bob Júnior e graças a ele, a Deus, este é o maior objetivo de minha vida!!

- Sobre o Tryout não posso dizer nada, nem detalhes, mas o sensação é única, imagine você estando onde sempre sonhou. Só passou na minha cabeça que com certeza é isso que quero para minha vida!

Matheus Alves (BWF): 


- O processo aconteceu por meio do show da BWF em parceria com a WSW que aconteceu em Outubro de 2017.

- Fiquei animado, mas sabia que precisaria trabalhar duro para me preparar.

WWE Photo
- Em tese não, foi exatamente a mesma coisa para todos, pois eles estiveram lá como coachs, e não foi somente para os brasileiros, era para todos os outros também

- Cada dia era uma sensação de quero mais, e que de reconhecer que de fato era aquilo que eu queria pro resto da minha vida. Cada dia eram passados treinos puxados, promos, ensinamentos, dicas e muitas coisas para aplicarmos nos treinos quando voltássemos.

Kelly Mesquita:


- Eu perguntei a Taynara Conti como fazia para participar. E ela acabou me indicando, mandei meus dados, currículo de atleta, fotos. Eles acabaram gostando do meu perfil e em junho me mandaram um e-mail falando que fui selecionada pra estar no Tryout no Chile. Daí em diante comecei a me preparar mais para poder fazer o Tryout.

- Nossa, eu fiquei em estado de choque. Eu não sabia se pulava de alegria ou se chorava de emoção, porque não esperava, senti algo tão bom quando recebi essa notícia.

- Sim, sim. Bem menos. Senti uma sensação de conforto com eles lá. Acho que ter os primeiros representantes brasileiros lá com a gente era como olhar pra eles e querer fazer tudo certo pra estar futuramente junto com eles. Um exemplo enorme pra todos nós. Tanto estar com eles quanto com os outros brasileiros. E é claro que eles três não que pegaram leve com a gente, mas também ajudaram muito, muito mesmo. Deram muitas dicas, muitos conselhos de como se comportar. De como fazer as técnicas.

- Então, cada dia aprendemos algo novo tanto em treinos como aprendizados pra vida. Estar lá foi muito bom, eu tive uma sensação tão boa todas os dias, era como se fosse um sonho estar ali, fazendo os treinos, conhecer os Coaches, conhecer outras pessoas. Foi tudo mágico.

O primeiro dia quando chegamos lá foi bem corrido, só tivemos a reunião pra falar sobre a Empresa e como seria o Tryout, e os exames físicos. Depois disso fomos descansar.  No segundo dia a sensação de sair do hotel e ir pro centro de treinamento era como se eu estivesse indo fazer uma competição de Judô, dava um frio na barriga, batia o nervosismo, porque era algo novo, diferente. Eu até tinha uma noção de como poderia ser por conta dos vídeos dos outros Tryout, mas mesmo assim dava um nervosismo. Acabou que o primeiro treino foi tranquilo, aquecemos e fizemos uma corridinha em volta do CT. E aí no segundo treino que começamos com as técnicas que tem que aprender a fazer, os rolamentos, o jeito de levantar, o jeito de se comportar lá. Por mais que no judô aprendemos a fazer rolamentos, o tipo de rolamento que fazem no WWE é um pouquinho diferente do Judô, mas já de ter uma base disso já facilitou muito. Porque aí era só questão de pegar a técnica certa. E eu até que consegui pegar rápido às técnicas, graças a Deus.

Porém o que mais pesou para mim nesse dia, foi ter que fazer a Promo. Nossa, aí sim eu fiquei nervosa, falar pra câmera e na frente de todos e dos Coaches durante 1 minuto e por mais que seja pra falar de você mesmo ou contar uma história, pra quem não é acostumado dá um frio na barriga que meu Deus, eu acho até que fiquei gelada nessa hora. Foi o 1 minuto mais longo da minha vida...(risadas).

O terceiro dia, eu não conseguia levantar da cama, meu corpo inteiro dolorido, virava para um lado doía, virava pro outro doía... Mas por incrível que pareça era uma dor boa, de sentir que eu estava viva, tava ali vivenciando aquele momento, aquela experiência, de que eu era capaz de fazer tudo. Já nem existia nervosismo. Nem frio na barriga, só dor no corpo mesmo. Os treinos continuavam firmes, mais técnicas novas pra fazer. Eu adorei aprender a correr no ringue de uma corda pra outra, parar, fazer as técnicas, continuar correndo. Tudo ao mesmo tempo. No último dia, mais treinos e mais uma promo e que promo. Mesmo nervosa consegui me sair bem. No final das contas você vê que o Tryout é uma competição contra você mesma, de se superar a cada dia, de em 4 dias você ter que buscar aprender pelo menos quase tudo, mostrar quem você é, de passar por cima dos seus obstáculos.
Adrian Jaoude and WWE Performance Center coach Robbie Brookside provide feedback to Brazilian judoka and grappler Kelly Mesquita.
Bom o que falar desse Tryout, dessa nova experiência que tive? Eu amei cada segundo que passei lá, eu faria tudo isso todos os dias, amei conhecer pessoas novas, de outros lugares. No final estávamos todos juntos e unidos. Você vê que união das pessoas, a energia boa que todos transmitem, ajuda muito, os treinos iam passando e nós mesmo cansados estávamos aguentando, porque a energia positiva que todos passavam, não deixava ninguém desanimar, não deixava o cansaço falar mais alto.  Porque assim por mais que os treinos sejam algo sério, eles não queriam que nós estivéssemos sérios o tempo todo, eles sempre falavam "sorrisão no rosto, alegria, curta esse momento com alegria, aproveita cada segundo aqui " porque com a energia boa as coisas fluem. Confesso que no começo foi difícil, porque assim, eu Kelly sou acostumada a estar sempre séria nos meus treinos, e eu ficava meio receosa, achando que tinha que manter a seriedade por respeito aos coaches, mas depois vi e entendi que não era isso que eles queriam. Eles mesmo falavam pra sorrir "Smile" e com o decorrer dos dias fui ficando mais tranquila.

E sabe o mais legal de tudo, é que os Coaches tinham uma paciência de ensinar. Eles paravam quantas vezes fosse preciso para ensinar,consertar, até aprendermos. Aprendi muito com todos os coaches, o Robbie e a Sarah, eles me ajudaram muito nos treinos, estavam sempre ali consertando algum detalhe, me dando uma dica, tanto pro treino quanto pra promo, o coaches Matt sempre sério, mas aí era só fazer algo engraçado que soltava um sorrisão. Eles são pessoas muito boas, dava pra sentir isso. Por serem famosos e tals, achamos que são diferentes de nós, mas não, quando os conhecemos vemos que são ótimas pessoas. Todos de coração bom.  Adorei tudo, o Tryout, o Chile, cada momento. As pessoas no Chile super educadas, um amor de pessoas. E aqueles cachorrinhos, vontade de levantar todos pra casa. Cada dia do treino aparecia um cachorro diferente no CT. Eu faria tudo de novo se fosse preciso.

Marcos Gomes:


- Eu fiz a inscrição um tempo atrás, mas depois recebi um outro e-mail dizendo que fui indicado pelo Tico Ramalho que foi quem levou as outras brasileiras pra lá também. E com um link para fazer a inscrição tudo de novo.

- Eu abria o e-mail direto pra ver se chegava a alguma coisa...e quando eu vi que fui selecionado para fazer o tryout nem acreditei cara. Pois tinha feito a primeira inscrição a exatamente 1 ano atrás.

- Ter o Adrian, Cézar e Taynara foram fundamentais eu acho, até porque não falo inglês, portanto sempre que eu tinha dúvidas eu perguntava a um deles. E fora a energia de ter brasileiros junto com a gente.

Brazilian MMA fighter Marcos Gomes shows his striking ability.
O primeiro dia de tryout começamos com um leve aquecimento, depois corrida na subida do parque com tiros, levantada técnica, muito rolamento (laterais, frontais e de costas), alguns exercícios no ringue. Segundo dia, aquecimento e depois os treinos, levantada técnica, rolamentos, corrida na corda, a promoção de cada um no vídeo e a noite nos ofereceram um jantar com todos presentes, super bacana no divertimento Chileno. No terceiro dia, aquecimento, levantada técnica, rolamentos, corrida na corda, drills, lutas e toda imprensa presente mostrando um pouco do tryout.

Foi uma experiência única como nunca tive esses anos todos na luta. Um clima extremamente agradável, todos torcendo uns para os outros e se ajudando. Poderia estar fazendo aquilo todo santo dia com maior prazer. Foi cansativo e muito divertido ao mesmo tempo.

Juliene Aryecha:


- Eu fui informada do processo pelo Adrian Jaoude, que disse que me indicou porque sempre lembrou de mim e achava a minha cara, meses depois recebi um convite da WWE para analise de currículo em Julho e apenas em Outubro chegou o convite oficial, tinha até me esquecido e imaginei que não tinha dado certo.

- Quando eu fiquei sabendo, confesso que deu um frio na barriga, e a sensação de enfrentar algo desconhecido foi desafiador. Em Setembro, voltei de SC, de uma competição do judô, no qual eu me lesionei na final, caindo no chão do lado de fora do tatame, desde então voltei ao RJ sem conseguir mexer meu braço, pentear o cabelo, tirar blusa e etc...Não treinei mais nada, já no final de outubro eu quase recuperada recebi o e-mail da WWE dizendo que a viagem seria no início de Dezembro. Pensei comigo: "e agora!? será que vou conseguir me condicionar???" Entrei nas aulas das academias no qual sou professora, fiz aulas de jump, corrida, pilates, musculação, etc, corri contra o tempo para poder chegar no mínimo capaz de executar um bom tryout, porque foi complicado pois dou aula o dia todo e tive que arrumar um curto tempo para me exercitar.

- Ter os 3 atletas brasileiros presentes foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, eu gostaria, mas não imaginava que eles estariam lá no chile conosco, foi uma grata surpresa, pois ate então eu imaginava que não conheceria ninguém, que a língua seria desafiadora pois eu não falo inglês... Mas ao mesmo tempo me senti mais á vontade, eu conheço o Adrian desde 2004, e sempre tivemos bom relacionamento, a Taynara foi minha adversária no judô, lutávamos na mesma categoria, somente o Cesár eu não o conhecia. Auxiliaram muito no processo, pois já sabem o que tem que ser feito e traduziram para nós leigos do inglês udo o que tinha que ser feito para que tudo saísse da melhor maneira possível.

- Primeiramente estar no Chile no meio de uma situação que eu me encontrava em uma semana e um mês tumultuado e estressante por causa do final da minha faculdade que eu estava prestes a me formar, foi bom para poder aliviar a minha cabeça naquele momento de tensão. Viajei meio insegura e desconfiada com a sensação de que estava dando um tiro no escuro pois não fazia a mínima ideia do que poderia acontecer e o que eles exigiram e o que eu tinha que mostrar.

Cheguei no Chile, várias pessoas de vários países da América Latina, americanos com cara de mal (com cara de: vou te matar de tanto treinar!!) fiquei um pouco cismada quando começou os treinos, eu sabia que não seria fácil, mas também sabia que não seria nada além do que eu já fiz na vida, pois já treinei muitos anos em alto rendimento, a nível de seleção brasileira, já usei meu corpo além do meu limite. Então já imaginaria que eu aguentaria, mesmo que não fosse no físico, mas pelo menos na parte emocional, pois sou muito forte de cabeça e não consigo desistir sem ao menos tentar até o meu máximo. Quando começou os treinamentos eu fui tentar entender qual seria o propósito deles, eu estava muito determinada e com muita vontade de dar o meu melhor, já que eu tinha atravessado o país para isso.

Quando subi no ringue, eu comecei a ficar um pouco mais preocupada pensando comigo "será que eu consigo fazer o que querem!?" Pois havia pouco tempo para tentar mostrar o máximo de habilidade possível, sem contar o lado artístico que a gente tem que descobrir. Fui me soltando a medida que fui entendendo o que aconteceria, porque sou do judô, temos a filosofia e a doutrina do respeito, humildade, disciplina, e estar em um ambiente no qual cantar, rir, bater palma, gritar sem censura foi estranho e ao mesmo tempo ótimo, porque o que era difícil foi ficando mais fácil divertido e acompanhado de boas energias dos conterrâneos e posteriormente dos parceiros estrangeiros que foram criados naqueles dias.

Aprendi um mundo novo da luta no qual nunca tive acesso tão perto, aprendi a ter respeito pela modalidade e seus participantes que amam o que faz. A união literalmente faz a força, quando você  pensa que vai desistir, vem outra pessoa e te estimula, porque o esporte é isso, somos todos irmãos apesar da concorrência. O clima foi amistoso e plural, aprendi outras culturas, outras personalidades, outra realidade. Eu amei os 4 dias e fiquei muito mais interessada em fazer parte desse time, pois seria um outro patamar de vida e mudar é muito bom, adoro mudanças que me façam sentir viva de novo. Eu amo lutar, encenar desde criança e poder juntar isso seria maravilhoso. Estou mega empolgada.

Rita Reis: 


- Eu fui indicada para participar por causa do meu currículo que é muito bom. Eu tenho um currículo muito bom no judô, no jiu-jitsu e também prático Wrestling. Eu fui campeã mundial no jiu-jitsu e fui terceira no Mundial de judô.

- Eu fiquei muito feliz com essa oportunidade, porque é uma oportunidade de fazer o Tryout para poder participar da WWE. É uma oportunidade única que pode mudar minha vida, a vida da minha família. Eu fui lá para dar o meu melhor, aconteceu vários problemas no meu voo, cheguei 2 dias atrasada e só fiz dois dias de testes, então nesses dois dias eu tentei dar o meu melhor para mostrar como eu era.
- Eles estando no treinamento, fazendo parte do treinamento e falando português, me ajudou muito. Foi a primeira vez que eu tive contato com a luta, com a WWE. Eu não tinha muita noção dos treinamentos. Mas como eu faço judô, jiu-jitsu e Wrestling, eu acho isso me ajudou a entrar rápido no ritmo do treino porque é um treinamento totalmente diferente.

- Essa oportunidade de estar participando do treino, foi uma coisa maravilhosa! Foi um treinamento muito forte, muito intenso, era diferente, foi tudo uma coisa nova para mim. Então eu tive que aprender rápido. Eu já tinha perdido dois dias porque meu voo tinha atrasado, eu tinha chegado atrasada. Então eu tive que aprender muito rápido, entrar no ritmo muito rápido, as meninas já tinham chegado dois dias antes, já tinham aprendido, e eu tive que chegar com garra, mostrar quem eu era, sorrir, torcer, fazer o meu melhor. Eu tinha que mostrar de verdade a minha cultura de Manaus, então fui toda caracterizada e acho que isso marcou, porque eu me vesti toda de índia. Eu fiz a minha apresentação muito forte e mostrei quem eu era, da onde que eu vinha, que eu era uma guerreira e que eu tinha vindo para conquistar a minha vaga.

Foi um aprendizado imenso só de estar lá. Eu gosto muito de desafios, eu gosto muito de experiências novas. Então estar ali com as pessoas no Tryouts, com os técnicos, com os coaches, me ajudou muito a evoluir cada vez e aprender cada dia mais. Para mim foi um aprendizado, foi uma experiência de vida e todas as dores, todos os sofrimentos, tudo que aconteceu ali, vai me levar a ser uma atleta bem melhor do que eu já era. Foi uma prova de resistência, de psicológico, porque você tinha que mostrar o teu melhor. Eles te julgavam muito porque você errava, mas você tinha que ser a melhor e mostrar que você podia estar ali e que aquela vaga valia a pena.

WWE Photo
Cada dia ali para mim foi um aprendizado novo. E os coaches foram maravilhosos. Os coaches dos Estados Unidos, os Brasileiros, todos me ajudaram muito no treino e me deram muito apoio. Minha apresentação foi muito boa, foi muito emocionante e eu só tenho que agradecer pela oportunidade. Eu fui a única brasileira que foi escolhida de Amazonas, a maioria era do Rio e de São Paulo, então você ser de Manaus é um diferencial Então eu tinha que marcar minha presença de de algum jeito.

Eu queria fazer o diferencial mostrando minha cultura. Mostrar como eu sou guerreira e como essa chance é muito importante para mudar minha vida. Então o Tryout foi uma experiência única, eu adorei participar de tudo, eu amei tudo. Fiquei muito muito feliz com essa oportunidade e agora é só esperar a resposta.

Abaixo estão os perfis dos entrevistados na Internet:
- Victor Boer: Instagram
- Rurik: Instagram
- Max Miller: Instagram
- Rusher: Instagram
- Acce - Instagram
- Matheus Alves - Instagram/Youtube
- Kelly Mesquita - Instagram
- Marcos Gomes - Instagram 
- Juliene Aryecha - Instagram/Facebook
- Rita Reis - Instagram/Twitter/Facebook

* Os participantes que não estão nessa reportagem mas estiveram nos Tryouts, devem aparecer em outra postagem ou não responderam ao nosso contato.

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